O TEMPO DA INFÂNCIA ENTRE O BRINCAR E O CONTROLE: REGULAÇÕES DO COTIDIANO ESCOLAR EM UMA INSTITUIÇÃO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL NO SUL DO PIAUÍ
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.6513Keywords:
Infância, Tempo Escolar, Educação Infantil, Controle, Cotidiano EscolarAbstract
O artigo analisa os mecanismos de controle do tempo da infância em uma escola municipal de Educação Infantil localizada no município de Uruçuí, sul do estado do Piauí, problematizando as tensões entre o direito à vivência da infância e a racionalização do cotidiano escolar. Fundamentado nos estudos da Sociologia da Infância e em abordagens críticas sobre tempo, disciplina e institucionalização da vida escolar, o estudo dialoga principalmente com Agamben, Elias, Foucault, Arroyo, Borba e Benjamin. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza documental e configurada como estudo de caso, desenvolvida a partir da análise do Projeto Político-Pedagógico, dos Planejamentos Semanais e dos sinais organizadores do espaço escolar. A análise dos dados foi realizada por meio da técnica de análise de conteúdo. Os resultados evidenciam que, embora os documentos institucionais reconheçam discursivamente a importância do brincar e das experiências infantis, a organização temporal da rotina escolar permanece estruturada por lógicas disciplinadoras e produtivistas que subordinam a infância ao ofício de aluno. Identificou-se a predominância de práticas voltadas ao controle do corpo, da circulação e do tempo das crianças, mediante rotinas rigidamente organizadas, fragmentação das atividades e limitação dos espaços de autonomia infantil. O estudo demonstra que o tempo livre e o brincar aparecem institucionalmente condicionados à funcionalidade pedagógica, reduzindo a possibilidade de experiências espontâneas e de apropriação do tempo pelas próprias crianças. Conclui-se que a escolarização da infância, atravessada pelas racionalidades contemporâneas de produtividade e regulação, tende a converter o tempo infantil em tempo administrado, enfraquecendo experiências fundamentais à constituição cultural da infância. O artigo defende a necessidade de reconfiguração das práticas pedagógicas e das políticas curriculares da Educação Infantil, de modo a reconhecer a infância como experiência social, cultural e temporal legítima.
References
AGAMBEN, Giorgio. Infância e história: destruição da experiência e origem da história. Tradução de Henrique Burigo. Belo Horizonte: UFMG, 2005.
ARROYO, Miguel González. Imagens quebradas: trajetórias e tempos de alunos e mestres. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2017.
BENJAMIN, Walter. Reflexões: a criança, o brinquedo e a educação. Tradução de Marcus Vinicius Mazzari. São Paulo: Summus, 1987.
BORBA, Angela Meyer. Culturas da infância nos espaços-tempos do brincar: estratégias de participação e construção da ordem social em um grupo de crianças de 4 a 6 anos. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPED, 31, 2008, Caxambu. Anais [...]. Caxambu: ANPEd, 2008.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2017.
ELIAS, Norbert. Sobre o tempo. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
FERRARINI, Tamiris Gomes; QUEIROZ, Débora Cristina de; SALGADO, Raquel Gonçalves. Infância, tempo e escola: experiências contemporâneas de aceleração e controle. Revista Teias, Rio de Janeiro, v. 17, n. 46, p. 132-148, 2016.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 1991.
NÍDIO, Rita. A infância e o tempo: entre o mundo vivido e o mundo administrado. In: SARMENTO, Manuel Jacinto; GOUVEA, Maria Cristina Soares de (org.). Estudos da infância: educação e práticas sociais. Petrópolis: Vozes, 2012. p. 199-214.
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
I (we) submit this article which is original and unpublished, of my (our) own authorship, to the evaluation of the Veredas do Direito Journal, and agree that the related copyrights will become exclusive property of the Journal, being prohibited any partial or total copy in any other part or other printed or online communication vehicle dissociated from the Veredas do Direito Journal, without the necessary and prior authorization that should be requested in writing to Editor in Chief. I (we) also declare that there is no conflict of interest between the articles theme, the author (s) and enterprises, institutions or individuals.
I (we) recognize that the Veredas do Direito Journal is licensed under a CREATIVE COMMONS LICENSE.
Licença Creative Commons Attribution 3.0


