A ERA DAS MÁQUINAS E O DESAFIO HUMANO NA EDUCAÇÃO

Autores

  • João Fernando Costa Júnior Universidad Tecnológica Intercontinental
  • Allysson Moura Luz Universidade Federal do Pará
  • Raimundo Alves dos Reis Neto Universidade Federal de Roraima
  • Cláudia Esther Reis Godinho Universidad Tecnológica Intercontinental
  • Jane do Socorro Rodrigues de Almeida Universidad Internacional Tres Fronteras
  • Sarah Medeiros Souto Gomes Universidad Tecnológica Intercontinental
  • Simone Silva Simas Universidade Autônoma de Assunção
  • Luis Carlos Ferreira de Oliveira Universidad Tecnológica Intercontinental
  • Sânio Pessoa Rodrigues Universidad Tecnológica Intercontinental
  • Cilene Ferreira dos Santos Universidad Del Sol
  • Ezequias Azevedo Pereira Universidad Tecnológica Intercontinental
  • Petrucia Ferreira dos Santos Universidade Del Sol
  • Maria José Ferreira dos Santos Holanda Universidade Del Sol
  • Geovana Barbosa Oggione Universidad Columbia del Paraguay
  • Emanuelly Cristina Moura Pontes Universidade Norte do Paraná
  • Anderson Clayton Souza de Oliveira Universidad Tecnológica Intercontinental
  • Juliana Ponciano Vasconcelos Carvalho Universidad Tecnológica Intercontinental
  • Marcia Cristina Valentim de Melo Universidad Columbia del Paraguay
  • Débora Rêgo Chaves Facchinetti Universidad Tecnológica Intercontinental
  • Bruna Nascimento de Oliveira Universidade Federal do Pará

DOI:

https://doi.org/10.18623/rvd.v23.6083

Palavras-chave:

Tecnologias Digitais, Literacia Crítica, Governamentalidade Algorítmica, Desenvolvimento Cognitivo, Educação Tecnológica

Resumo

Na chamada "era das máquinas", a educação enfrenta uma tensão ontológica entre a automação impulsionada pela inteligência artificial e a imperativa humanização do processo formativo. Este ensaio teórico-analítico investiga o paradoxo de um sistema educacional que, ao automatizar práticas pedagógicas por meio de plataformas adaptativas, chatbots e tutores inteligentes, ameaça diluir a mediação afetiva, a escuta ativa e a singularidade do encontro docente-aluno. Fundamentado em autores como Paulo Freire, Martha Nussbaum e Edgar Morin, o texto problematiza o deslocamento do professor de sujeito mediador para operador algorítmico, bem como a redução do aprendiz a variável estatística, evidenciando limitações ontológicas da IA quanto à empatia autêntica e à consciência moral. A análise crítica das práticas automatizadas revela riscos de despersonalização e homogeneização, ilustrados por estudos de caso que contrapõem eficiência técnica à profundidade relacional. Contra essa lógica utilitarista, defende-se a educação como ato de resistência ao desumanizar, propondo integração ética da IA, formação docente para consciência tecnológica crítica e políticas centradas no humano. Desenvolve-se o conceito de "tecnologia humanizadora", através do uso crítico, ético e afetivo dos recursos digitais, como síntese dialética entre automação e presença. Conclui-se que a coexistência entre máquina e humano não é binária, mas tensionada produtivamente, onde a automação amplia capacidades quando subordinada à complexidade humana. Sugere-se pesquisas empíricas sobre IA humanizadora em contextos brasileiros, reafirmando a educação como praxis libertadora que transcende a técnica para afirmar o ser-mais.

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Publicado

2026-04-22

Como Citar

Costa Júnior, J. F., Luz, A. M., Reis Neto, R. A. dos, Godinho, C. E. R., Almeida, J. do S. R. de, Gomes, S. M. S., … Oliveira, B. N. de. (2026). A ERA DAS MÁQUINAS E O DESAFIO HUMANO NA EDUCAÇÃO. Veredas Do Direito , 23(6), e236083. https://doi.org/10.18623/rvd.v23.6083