GÊNERO, SABERES E RESISTÊNCIA O (RE)CONHECIMENTO DA MULHER PEIXEIRA NA COMUNIDADE PISCATÓRIA BAIXO LÁ, ZONA DE PORTO RINCÃO, CABO VERDE
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5893Palavras-chave:
Relações de Gênero, Pesca Artesanal, História Oral, Cabo VerdeResumo
Cabo Verde é um arquipélago que se caracteriza por uma diversidade cultural resultante de processos históricos de colonização euro portuguesa refletida nas comunidades de pesca artesanal. Nesse contexto, os saberes e práticas das mulheres peixeiras permanecem, em grande medida, invisibilizados, apesar de sua participação central na cadeia produtiva do pescado, especialmente na comercialização e na garantia da subsistência familiar. Este artigo analisa as relações de gênero na pesca artesanal, evidenciando desigualdades estruturais que afetam a valorização do trabalho feminino, o reconhecimento de seus saberes e o acesso a direitos. O estudo está vinculado à Universidade de Cabo Verde e à Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, tendo como recorte empírico a comunidade pesqueira Baixo Lá. Metodologicamente, adota-se a História Oral e a História de Vida, com abordagem qualitativa baseada em imersão etnográfica, observação participante e entrevistas semiestruturadas. A narrativa da entrevistada constitui o eixo central da análise. Os resultados indicam que a desigualdade de gênero está associada a processos históricos que reforçam a desvalorização do trabalho feminino. Contudo, evidenciam também estratégias de resistência, organização coletiva e produção de saberes territoriais e políticos, fundamentais para a justiça social e a equidade de gênero.
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