NEURODIVERSIDADE E AUTISMO NA EDUCAÇÃO BÁSICA: RECONFIGURAÇÕES DO CURRÍCULO, DAS ESTRATÉGIAS DE ENSINO E DOS PROCESSOS AVALIATIVOS À LUZ DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5875Palavras-chave:
Neurodiversidade, Educação Inclusiva, Currículo, Avaliação FormativaResumo
A presença crescente de estudantes neurodivergentes na Educação Básica tem tensionado as formas tradicionais de organização do ensino, especialmente aquelas sustentadas por modelos homogêneos e padronizados de aprendizagem. Nesse cenário, a neurodiversidade passa a ser compreendida como expressão legítima da diversidade humana, deslocando o foco de uma lógica corretiva para uma perspectiva que reconhece diferentes modos de aprender, interagir e significar o mundo. Tal compreensão implica a necessidade de reconfigurar o currículo, as estratégias de ensino e os processos avaliativos, de modo que deixem de operar como mecanismos de exclusão e passem a constituir-se como dispositivos de participação e aprendizagem efetiva para todos os estudantes. Assim, o presente estudo tem como objeto de pesquisa a análise das reconfigurações do currículo, das estratégias pedagógicas e dos processos avaliativos na Educação Básica à luz das demandas e potencialidades dos estudantes neurodivergentes no contexto das práticas pedagógicas inclusivas. A investigação orienta-se pela seguinte pergunta de partida: de que maneira as práticas pedagógicas inclusivas podem promover a reconfiguração do currículo, das estratégias de ensino e dos processos avaliativos, assegurando a participação, a aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes neurodivergentes na Educação Básica? Teoricamente, fizemos uso dos trabalhos de Allan (2007), Apple (1999; 2011; 2019), Armstrong (1998; 2006; 2011; 2012; 2017), Attwood (2008), Ball (2005; 2008), Beardon (2017; 2021), Bergmann e Sams (2012), Black-Hawkins, Florian e Rouse (2007), Booth e Ainscow (1998), Brookhart (2013), Causton (2009), Davis (2017), Florian (2013; 2017), Freire (1967; 1968; 1996), Frith (2013), Garcia (2021), Garland-Thomson (1997; 2009), Grandin (2006), Grandin e Panek (2013), Greene (2014), Jones (2002), Linton (2020), Mantoan (2003; 2010), Mastropieri, Scruggs e Regan (2022), Novak e Rose (2016), Pierangelo (2012), Prizant (2016), Rufo e Causton (2022), Saviani (2008; 2011; 2021), Shakespeare (2013; 2018), Snyder e Mitchell (2006), Vygotsky (1978; 1997; 2011), Wiliam (2011), Wilmshurst e Brue (2010), Wood (2016), entre outros. A Pesquisa é de cunho qualitativa (Minayo, 2007), descritiva e bibliográfica (Gil, 2008) e com o viés analítico compreensivo (Weber, 1949). Os achados indicam que práticas pedagógicas inclusivas promovem a reconfiguração do currículo, do ensino e da avaliação ao deslocar a centralidade da padronização para a valorização da diversidade, assegurando condições efetivas de participação e aprendizagem. Evidencia-se que currículos flexíveis, metodologias diversificadas e avaliações formativas favorecem o engajamento e o desenvolvimento dos estudantes neurodivergentes. Constatou-se, ainda, que tais transformações dependem de formação docente crítica e da construção de uma cultura escolar inclusiva.
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