ANÁLISE DO RISCO CIRÚRGICO VERSUS RISCO FARMACOLÓGICO NO TRATAMENTO DA OBESIDADE: CIRURGIA BARIÁTRICA E ANTIDIABÉTICOS INJETÁVEIS
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5356Palavras-chave:
Obesidade, Cirurgia Bariátrica, Risco Cirúrgico, Terapia Farmacológica, Antidiabéticos Injetáveis, Agonistas do Receptor de GLP-1, Tirzepatida, Perda PonderalResumo
A obesidade é uma enfermidade crônica multifatorial associada a elevada morbimortalidade, sobretudo em decorrência de complicações metabólicas e cardiovasculares, como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e doença aterosclerótica. O manejo terapêutico da obesidade grave ultrapassa intervenções comportamentais isoladas, frequentemente exigindo estratégias mais intensivas, incluindo cirurgia bariátrica/metabólica e farmacoterapia com agentes injetáveis de ação incretínica. A escolha entre essas modalidades requer análise criteriosa do perfil de risco e benefício, considerando características clínicas individuais, gravidade da doença e presença de comorbidades. A cirurgia bariátrica, especialmente técnicas como o bypass gástrico em Y de Roux e a gastrectomia vertical (sleeve), promove perda ponderal significativa e sustentada, além de melhora expressiva ou remissão de comorbidades metabólicas. Contudo, envolve risco cirúrgico inerente, incluindo complicações perioperatórias (sangramento, tromboembolismo, infecção) e eventos tardios, como deficiências nutricionais, estenoses e síndrome de dumping. Apesar da baixa mortalidade em centros especializados, trata-se de intervenção invasiva que exige seguimento multiprofissional contínuo. Em contraste, os agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida, e os agonistas duais GLP-1/GIP, como a tirzepatida, representam avanços relevantes na terapêutica farmacológica da obesidade. Esses fármacos promovem redução ponderal substancial e melhora de parâmetros cardiometabólicos, com perfil de segurança globalmente favorável. Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais e geralmente transitórios, embora haja relatos de eventos menos frequentes, como pancreatite e colelitíase associada à rápida perda de peso. Diferentemente da cirurgia, a manutenção dos resultados depende da continuidade do tratamento. Destarte, a análise comparativa entre risco cirúrgico e risco farmacológico deve ser individualizada. A cirurgia oferece maior magnitude e durabilidade de perda de peso, com risco imediato mais elevado; a farmacoterapia apresenta menor risco invasivo, porém eficácia dependente de adesão prolongada. A decisão terapêutica deve basear-se em avaliação clínica abrangente, estratificação de risco e discussão compartilhada com o paciente, visando maximizar benefícios e minimizar complicações.
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