DESAFIOS DA FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA EM SAÚDE NO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO BRASILEIRO DIANTE DA PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE E DO SUBFINANCIAMENTO: REVISÃO DE ESCOPO
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.n2.4255Palavras-chave:
Formação em Saúde, Ensino Superior Público, Trabalho Docente, Financiamento Público, Precarização do TrabalhoResumo
Objetivo: Mapear e analisar os desafios da formação universitária em saúde no ensino superior público brasileiro relacionados à precarização do trabalho docente e ao financiamento inadequado. Métodos: Revisão de escopo, desenvolvida entre janeiro e fevereiro de 2026, conduzida conforme as recomendações do Instituto Joanna Briggs e orientada pelo checklist PRISMA-ScR. O protocolo foi registrado na Open Science Framework. Utilizou-se a estratégia PCC para formulação da pergunta norteadora: P – docentes e cursos da área da saúde; C – desafios da formação universitária em saúde associados à precarização do trabalho docente e ao financiamento inadequado; C – ensino superior público brasileiro. A pergunta norteadora foi: “Quais são os desafios da formação universitária em saúde no ensino superior público brasileiro relacionados à precarização do trabalho docente e ao financiamento inadequado, segundo a literatura científica?”. Foram incluídos estudos publicados nos últimos cinco anos, de acesso livre, em todos os idiomas, que abordassem formação em saúde, trabalho docente e financiamento no contexto das universidades públicas brasileiras. Excluíram-se estudos fora desse contexto ou que não dialogassem com o escopo proposto. As buscas foram realizadas nas bases PubMed, Medline, Cochrane Library e Google Acadêmico. A seleção e extração dos dados foram realizadas por dois revisores independentes. Resultados e Discussão: Foram incluídos 12 estudos, majoritariamente analíticos, qualitativos e documentais, com níveis de evidência predominantemente moderados. Os achados demonstram que o subfinanciamento progressivo das universidades públicas impacta diretamente a formação em saúde, com redução de recursos para laboratórios, campos de prática, bolsas acadêmicas e projetos de extensão. Evidencia-se que a precarização do trabalho docente, embora histórica, intensificou-se nos últimos anos, caracterizando-se pela diminuição de concursos públicos, ampliação de contratos temporários e sobrecarga de docentes efetivos. CONCLUSÃO: Os desafios da formação universitária em saúde no ensino superior público brasileiro estão fortemente associados ao financiamento inadequado e à precarização do trabalho docente. A austeridade fiscal prolongada compromete condições estruturais e humanas essenciais ao processo formativo.
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