MODELO DE PRESCRIÇÃO PICTOGRÁFICA INCLUSIVA PARA POPULAÇÕES ANALFABETAS, POUCO LETRADAS E SURDAS, NO BRASIL, EM 2025: UMA ABORDAGEM INTERSECCIONAL ENTRE SAÚDE PÚBLICA E DIREITOS HUMANOS
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.6311Palabras clave:
Dignidade Humana, Direitos Humanos, Direito à Saúde, Letramento em Saúde, Saúde PúblicaResumen
O estudo avaliou um modelo de prescrição pictográfica inclusiva voltado a pessoas analfabetas, com baixo letramento funcional e surdas no Brasil, tendo como base o letramento em saúde e os direitos humanos como eixo central de análise. O objetivo foi identificar barreiras de compreensão de prescrições médicas e testar uma estratégia comunicacional acessível, capaz de promover equidade no cuidado. Trata-se de um estudo transversal, de abordagem mista, com 50 participantes, nos quais foram aplicados questionários antes e após a exposição ao modelo pictográfico. Os resultados iniciais mostraram dificuldades importantes na compreensão de receitas, identificação de medicamentos e interpretação de dosagens, sobretudo entre idosos e indivíduos com baixa escolaridade. Após a intervenção, 100% dos participantes relataram melhora na compreensão, maior segurança no uso de medicamentos, melhor adesão terapêutica e alta aceitabilidade do modelo. Conclui-se que a linguagem visual reduz barreiras estruturais de letramento em saúde e fortalece a autonomia dos usuários. Do ponto de vista dos direitos humanos, o estudo evidencia que a comunicação em saúde é parte integrante do direito à saúde, à informação e à acessibilidade, sendo a prescrição pictográfica uma ferramenta concreta de promoção de direitos humanos, equidade e justiça social no cuidado em saúde.
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