DO COLAPSO À INOVAÇÃO: COMO A GESTÃO DO SUS TEM SE REINVENTADO NO PÓS-PANDEMIA
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.6610Palavras-chave:
Gestão do SUS Pós-Pandemia, Inovação em Saúde Pública, COVID-19 e Sistema de Saúde, Telessaúde, Resiliência SanitáriaResumo
A pandemia de Covid-19 expôs, de forma contundente, tanto as fragilidades quanto a resiliência do Sistema Único de Saúde (SUS), colocando em evidência sua capacidade de resposta em cenários de colapso sanitário e sua aptidão para se reinventar diante de crises de grande magnitude. O presente artigo tem por objetivo analisar como a gestão do SUS tem se reorganizado no período pós-pandemia, identificando as inovações institucionais, gerenciais e tecnológicas que emergiram como respostas aos desafios impostos pelo contexto pandêmico e às demandas sanitárias dele decorrentes. A metodologia adotada é a revisão bibliográfica e documental, com base em relatórios do Ministério da Saúde, produções acadêmicas da saúde coletiva e análises de gestão em saúde pública, priorizando produções publicadas entre 2021 e 2026. Os achados indicam que, a despeito do colapso observado em serviços hospitalares e na cadeia de insumos durante os momentos mais críticos da pandemia, o sistema respondeu com iniciativas relevantes, tais como a ampliação da telessaúde, a reorganização dos fluxos de atenção, a intensificação das ações de vigilância epidemiológica e o desenvolvimento acelerado de estratégias de imunização em larga escala. No período pós-pandemia, observa-se um movimento de revisão das práticas de gestão, com ênfase na incorporação de tecnologias digitais, na valorização da inteligência epidemiológica e na necessidade de fortalecer a resiliência sistêmica frente a futuras emergências sanitárias. Persistem, contudo, desafios relacionados à recuperação da capacidade instalada, ao enfrentamento das sequelas da pandemia e à superação das desigualdades regionais que se aprofundaram nesse período. Conclui-se que o SUS pós-pandemia encontra-se em um momento singular de reconstrução e inovação, no qual as lições aprendidas devem orientar reformas estruturais capazes de torná-lo mais robusto, equânime e preparado para os desafios sanitários do século XXI.
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