PEDAGOGIAS INSURGENTES: FORMAÇÃO DOCENTE, PRÁTICAS EDUCATIVAS E SABERES EM DISPUTA COMO EXPERIÊNCIAS DE INSURGÊNCIA PEDAGÓGICA EM CATHERINE WALSH E PAULO FREIRE
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5922Palavras-chave:
Pedagogias Insurgentes, Formação Docente, Saberes Subalternizados, Educação DecolonialResumo
Em contextos marcados por desigualdades estruturais e pela persistência de epistemologias hegemônicas no campo educacional, emergem práticas pedagógicas que tensionam a lógica dominante e afirmam outras formas de produzir conhecimento. As pedagogias insurgentes, inspiradas em Catherine Walsh e Paulo Freire, configuram-se como movimentos de resistência que articulam formação docente, práticas educativas críticas e valorização de saberes historicamente subalternizados. Nesse cenário, a educação passa a ser compreendida como espaço de disputa, criação e reexistência. O presente estudo tem como objeto de pesquisa a análise das pedagogias insurgentes na formação docente e nas práticas educativas, considerando os saberes em disputa como experiências de insurgência pedagógica à luz das contribuições de Catherine Walsh e Paulo Freire. A investigação orienta-se pela seguinte pergunta de partida: de que maneira as pedagogias insurgentes, fundamentadas em Catherine Walsh e Paulo Freire, podem reconfigurar a formação docente e as práticas educativas, promovendo a valorização de saberes subalternizados e a construção de processos educativos críticos e emancipatórios? Teoricamente, fizemos uso centralmente dos trabalhos de Catherine Walsh (2009; 2013; 2017; 2019) e Paulo Freire (1992; 2013a; 2013b; 2015), orbitando através das contribuições de Anzaldúa (2022), Collins (2000; 2019), Fanon (2008; 2022), Giroux (2011), Gomes (2017; 2019), hooks (1994; 2003; 2010), Mignolo (2011; 2012), Quijano (2000), Santos (2002; 2014; 2019), Saviani (2008; 2011), entre outros. A pesquisa é qualitativa (Minayo, 2007), descritiva e bibliográfica (Gil, 2008) e com o viés analítico compreensivo (Weber, 1949). A análise evidenciou que as pedagogias insurgentes reconfiguram o ensino ao deslocar a centralidade da transmissão para a construção coletiva do conhecimento, valorizando saberes historicamente subalternizados e ampliando as possibilidades de participação dos sujeitos. Constatou-se que a formação docente crítica, articulada ao diálogo e à problematização da realidade, favorece práticas pedagógicas mais inclusivas, reflexivas e socialmente comprometidas. Além disso, identificou-se que a incorporação de perspectivas decoloniais contribui para tensionar as hierarquias epistemológicas, promovendo processos educativos mais críticos, plurais e emancipatórios.
Referências
ANZALDÚA, G. Borderlands/La Frontera: The New Mestiza. 4. ed. San Francisco: Aunt Lute Books, 2022.
COLLINS, P. H. Black Feminist Thought: Knowledge, Consciousness, and the Politics of Empowerment. 2. ed. New York: Routledge, 2000.
COLLINS, P. H. Intersectionality as Critical Social Theory. Durham: Duke University Press, 2019.
DOS SANTOS, A. N. S. et al. Entre palavras e ações – os saberes da “pedagogia da autonomia” de Paulo Freire para transformar o ensino em prática viva. ARACÊ, [S. l.], v. 7, n. 2, p. 6812-6841, 2025. DOI: 10.56238/arev7n2-135. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/3301. Acesso em: 15 mar. 2026.
DOS SANTOS, A. N. S. et al. Por uma “pedagogia do encontro” – vínculo, escuta, afeto e reconhecimento na relação professor-aluno na formação humanizada a partir das contribuições teóricas de Paulo Freire, bell hooks e Haim Ginott. ARACÊ, [S. l.], v. 7, n. 5, p. 21416–21459, 2025. DOI: 10.56238/arev7n5-025. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/4816. Acesso em: 15 mar. 2026.
DOS SANTOS, A. N. S. et al. Educação que interroga – o ato de ler como prática libertadora e a construção da consciência crítica na formação do sujeito a partir da perspectiva de Paulo Freire. ARACÊ, [S. l.], v. 7, n. 4, p. 15818-15848, 2025. DOI: 10.56238/arev7n4-014. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/4217. Acesso em: 15 mar. 2026.
DOS SANTOS, A. N. S. et al. A convergência entre os ensinamentos de Paulo Freire e os princípios da educação decolonial: caminhos para a emancipação e resistência ao colonialismo educacional. ARACÊ, [S. l.], v. 7, n. 2, p. 4914-4945, 2025. DOI: 10.56238/arev7n2-024. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/3131. Acesso em: 15 mar. 2026.
FANON, F. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.
FANON, F. Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Zahar, 2022.
FLICK, U. Introdução à pesquisa qualitativa. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
FREIRE, P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 50. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013a.
FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013b.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 51. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
GIROUX, H. A. On Critical Pedagogy. New York: Continuum, 2011.
GOMES, N. L. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes, 2017.
GOMES, N. L. Educação, identidade negra e formação de professores. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.
HOOKS, b. Teaching to Transgress: Education as the Practice of Freedom. New York: Routledge, 1994.
HOOKS, b. Teaching Community: A Pedagogy of Hope. New York: Routledge, 2003.
HOOKS, b. Teaching Critical Thinking: Practical Wisdom. New York: Routledge, 2010.
JAHNKE, J. F. et al. Da educação bancária à educação libertadora – entre a reprodução das desigualdades e a formação de sujeitos críticos: fundamentos, tensões e possibilidades da práxis emancipadora em Paulo Freire. Revista DCS, 23(87), e4597. Disponível em: https://doi.org/10.54899/dcs.v23i87.4597. Acesso em 15 mar. 2026.
JAHNKE, J. F. et al. Pode o aluno avaliar? Possibilidades de um giro contra-hegemônico como opção descolonial no campo da avaliação educacional no Brasil. ERR01, 10(7), e10754. Disponível em: https://doi.org/10.56238/ERR01v10n7-017 Acesso em 15 mar. 2026.
MIGNOLO, W. D. The Darker Side of Western Modernity: Global Futures, Decolonial Options. Durham: Duke University Press, 2011.
MIGNOLO, W. D. Local Histories/Global Designs: Coloniality, Subaltern Knowledges, and Border Thinking. Princeton: Princeton University Press, 2012.
MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 10. ed. São Paulo: Hucitec, 2007.
PRODANOV, C. C.; FREITAS, E. C. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013.
QUIJANO, A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2000.
SANTOS, A. N. S. dos. et al. Por uma educação do afeto: construindo “comunidades pedagógicas em sala de aula” para transpor o sensível para uma educação transformadora com bell hooks. Caderno Pedagógico, 22(1), e13578. Disponível em: https://doi.org/10.54033/cadpedv22n1-219 Acesso em 15 mar. 2026.
SANTOS, A. N. S. dos, FELIPPE, J. N. de O., SOUZA, L. T. R. de. et al. Paulo Freire: do educador ao gestor – transformações da secretaria de educação às escolas públicas populares da américa latina. Caderno Pedagógico, 21(10), e9774. Disponível em: https://doi.org/10.54033/cadpedv21n10-334 Acesso em 15 mar. 2026.
SANTOS, A. N. S. dos, REIS, G. de A., MOURA, D. L. de O. et al. (2024). Educação decolonial: desafios epistêmicos e a luta contra o eurocentrismo, patriarcado e capitalismo na contemporaneidade. Caderno Pedagógico, 21(10), e9101. Disponível em: https://doi.org/10.54033/cadpedv21n10-142 Acesso em 15 mar. 2026.
SANTOS, A. N. S. dos, OLIVEIRA, L. A. de, KEHLER, G. dos S. et al. “Semear diversidade na educação”: a pedagogia de Paulo Freire como ponte da interculturalidade na educação infantil latino-americano. OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA, 22(8), e6454. Disponível em: https://doi.org/10.55905/oelv22n8-209 Acesso em 15 mar. 2026.
SANTOS, A. N. S. dos, SILVA, C. A. da, FELIPPE, J. N. de O. et al. Descolonizando saberes: a busca pela revolução contra-hegemônica da educação latino-americana no contexto contemporâneo. Cuadernos De Educación Y Desarrollo, 16(6), e4636. Disponível em: https://doi.org/10.55905/cuadv16n6-178 Acesso em 15 mar. 2026.
SANTOS, B. S. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência. São Paulo: Cortez, 2002.
SANTOS, B. S. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2014.
SANTOS, B. S. O fim do império cognitivo: a afirmação das epistemologias do Sul. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.
SAVIANI, D. Escola e democracia. 41. ed. Campinas: Autores Associados, 2008.
SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 11. ed. Campinas: Autores Associados, 2011.
STAKE, R. E. Pesquisa qualitativa: estudando como as coisas funcionam. Porto Alegre: Penso, 2011.
WALSH, C. Interculturalidad, Estado, sociedad: luchas (de)coloniales de nuestra época. Quito: Universidad Andina Simón Bolívar, 2009.
WALSH, C. Pedagogías decoloniales: prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Quito: Abya-Yala, 2013.
WALSH, C. Pedagogías decoloniales II: prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Quito: Abya-Yala, 2017.
WALSH, C. On Decoloniality: Concepts, Analytics, Praxis. Durham: Duke University Press, 2019.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Submeto (emos) o presente trabalho, texto original e inédito, de minha (nossa) autoria, à avaliação de Veredas do Direito - Revista de Direito, e concordo (amos) que os direitos autorais a ele referentes se tornem propriedade exclusiva da Revista Veredas, sendo vedada qualquer reprodução total ou parcial, em qualquer outra parte ou outro meio de divulgação impresso ou eletrônico, dissociado de Veredas do Direito, sem que a necessária e prévia autorização seja solicitada por escrito e obtida junto ao Editor-gerente. Declaro (amos) ainda que não existe conflito de interesse entre o tema abordado, o (s) autor (es) e empresas, instituições ou indivíduos.
Reconheço (Reconhecemos) ainda que Veredas está licenciada sob uma LICENÇA CREATIVE COMMONS:
Licença Creative Commons Attribution 3.0



