LETRAMENTO TECNOLÓGICO E JUSTIÇA EDUCACIONAL: ANÁLISE CRÍTICA DAS DESIGUALDADES DE ACESSO, USO E APROPRIAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NO CONTEXTO ESCOLAR
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5449Palavras-chave:
Letramento Tecnológico, Desigualdades Digitais, Mediação Docente, Justiça EducacionalResumo
Nas últimas décadas, a crescente incorporação de tecnologias digitais nos sistemas educacionais tem sido apresentada como um elemento capaz de ampliar oportunidades de aprendizagem, inovação pedagógica e democratização do conhecimento. Entretanto, diferentes estudos têm evidenciado que a presença dessas tecnologias nas escolas não ocorre de forma homogênea, sendo atravessada por profundas desigualdades sociais, econômicas e territoriais. Em muitos contextos, limitações de infraestrutura, acesso restrito a dispositivos e conectividade precária acabam produzindo novas formas de exclusão educacional, mesmo em cenários de expansão das políticas de digitalização do ensino. Nesse cenário, o presente artigo tem como objeto de análise o letramento tecnológico no contexto escolar, compreendido não apenas como acesso a dispositivos digitais, mas também como a capacidade de utilizá-los de forma crítica, significativa e socialmente situada nos processos de ensino e aprendizagem. A investigação parte da seguinte pergunta de pesquisa: de que maneira as desigualdades de acesso, uso e apropriação das tecnologias digitais no ambiente escolar influenciam os processos de letramento tecnológico e impactam a promoção da justiça educacional? Teoricamente, fizemos uso dos trabalhos de Bacich, Tanzi Neto e Trevisani (2015), Bacich e Moran (2018), Bates (2019), Castells (2003; 2010a; 2010b; 2015), Floridi (2013; 2014; 2019), Gabriel (2017), Giroux (2004; 2005a; 2005b; 2006; 2011; 2025), Laurillard (1993; 2012), Livingstone e Blum-Ross (2020), Livingstone e Sefton-Green (2016), Moran (2014), Lévy (1998; 1999), Resnick (2017), Selwyn (2011; 2012; 2014; 2019; 2022), Warschauer (2003), Warschauer e Kern (2000), Williamson (2017), entre outros. A pesquisa é de cunho qualitativa (Minayo, 2007), descritiva e bibliográfica (Gil, 2008) e com o viés analítico compreensivo (Weber, 1949). Os principais achados da pesquisa evidenciam que as desigualdades digitais, para além do acesso, manifestam-se nas dimensões de uso e apropriação, condicionando as possibilidades de aprendizagem e participação dos estudantes. Verificou-se que a ausência de mediação pedagógica crítica e de condições materiais adequadas tende a reproduzir práticas tradicionais e ampliar assimetrias educacionais. Constatou-se, ainda, que a promoção da justiça educacional no contexto digital depende de uma abordagem integrada que articule políticas públicas, formação docente e práticas pedagógicas emancipadoras.
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