ESTRATÉGIAS DE USO DE RECURSOS FINANCEIROS LIMITADOS NA FORMAÇÃO EM SAÚDE EM UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS: REVISÃO DE ESCOPO
2
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.n3.4341Abstract
Objetivo: Mapear e analisar as estratégias de uso de recursos financeiros limitados na formação em saúde em universidades públicas brasileiras, identificando práticas de gestão adotadas, seus impactos na qualidade dos processos formativos e as lacunas de conhecimento evidenciadas na literatura científica. Métodos: Revisão de escopo, realizada entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, conduzida conforme as recomendações do Instituto Joanna Briggs e orientada pelo checklist PRISMA-ScR, com protocolo previamente registrado na Open Science Framework. A pergunta norteadora foi formulada a partir da estratégia PCC: P – cursos, gestores e estruturas formativas da área da saúde; C – estratégias de uso de recursos financeiros limitados na formação em saúde; C – universidades públicas brasileiras. Foram incluídos estudos publicados nos últimos cinco anos, de acesso livre, em todos os idiomas, que abordassem financiamento, alocação e racionalização de recursos na formação em saúde no ensino superior público brasileiro. Excluíram-se estudos fora desse contexto ou que não discutissem diretamente o uso de recursos financeiros. As buscas foram realizadas nas bases PubMed, Medline, Cochrane Library e Google Acadêmico, com seleção, extração e análise dos dados realizadas por dois revisores independentes. Resultados e Discussão: Foram incluídos 13 estudos, predominantemente qualitativos, analíticos e descritivos, com níveis de evidência moderados. As evidências indicam que, diante do subfinanciamento persistente, as universidades públicas brasileiras têm adotado estratégias adaptativas para sustentar a formação em saúde, como integração curricular, educação interprofissional, fortalecimento da articulação ensino-serviço na Atenção Primária à Saúde, uso de tecnologias digitais, simulação clínica de baixo custo, impressão 3D, telemonitoramento e compartilhamento de infraestrutura. Essas práticas permitem racionalizar recursos, ampliar experiências formativas e manter padrões mínimos de qualidade pedagógica, apesar das restrições orçamentárias que limitam expansão de vagas, infraestrutura e alocação docente. A gestão acadêmica emerge como eixo central, ao priorizar investimentos essenciais, reorganizar práticas pedagógicas e captar recursos externos. Contudo, a literatura converge ao afirmar que tais estratégias mitigam, mas não substituem, a necessidade de financiamento público adequado, revelando limites para a sustentabilidade de longo prazo da formação em saúde. Conclusão: As universidades públicas brasileiras têm recorrido a estratégias de uso racional de recursos financeiros para manter a formação em saúde em contextos de restrição orçamentária. Embora eficazes como respostas adaptativas, essas estratégias são insuficientes para garantir qualidade e sustentabilidade a longo prazo sem políticas estruturais de financiamento público contínuo. O fortalecimento da gestão acadêmica, aliado ao financiamento adequado, é essencial para assegurar a formação de profissionais de saúde alinhados às necessidades do SUS.
References
Amaral, N. C.; Mancebo, D. Financiamento da educação superior pública no Brasil: impasses e perspectivas. Educação & Sociedade, v. 43, e259876, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/ES.259876. Acesso em: 09 jan. 2026.
Anagnostopoulos, S. et al. 3D printing in medicine: bridging imaging, education, and practice. Archives of Medical Science – Atherosclerotic Diseases, v. 10, p. e172–e188, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.5114/amsad/209721.
Bosi, M. L. M. et al. Gestão universitária, trabalho docente e sustentabilidade institucional. Trabalho, Educação e Saúde, v. 22, e0230456, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1981-7746-ojs230456. Acesso em: 09 jan. 2026.
Carvalho, W. M. et al. PET-Saúde como estratégia indutora da integração ensino-serviço no contexto do SUS. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, v. 26, e220081, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/interface.220081.
Ceccim, R. B.; Ferla, A. A.; Silva, P. G. Mudanças curriculares e sustentabilidade da formação em saúde no Pró-Saúde. Saúde em Debate, v. 45, n. 129, p. 1032–1045, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0103-1104202112918.
Ceccim, R. B. et al. Formação em saúde, universidade pública e desafios institucionais. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, v. 27, e230198, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/interface.230198. Acesso em: 09 jan. 2026.
Cecilio-Fernandes, D. et al. Advancing simulation-based education in Brazil: bridging research and practice. Einstein (São Paulo), v. 22, eEDS3, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.31744/einstein_journal/2023EDS3.
Chauí, M. et al. Universidade pública e financiamento estatal no Brasil contemporâneo. Revista USP, n. 136, p. 45–60, 2022. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/198748. Acesso em: 09 jan. 2026.
Costa, J. B. et al. Caracterização das experiências de educação interprofissional na formação em saúde na Universidade de São Paulo. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 57, e20230118, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2023-0118en.
Dias Sobrinho, J. et al. Avaliação institucional e gestão financeira da educação superior. Avaliação, v. 28, n. 1, p. 11–28, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1414-40772023000100002. Acesso em: 09 jan. 2026.
Dourado, L. F. et al. Políticas de educação superior e financiamento público no Brasil. Educação em Revista, v. 39, e39045, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0102-469839045. Acesso em: 09 jan. 2026.
Galvão, T. F.; Pansani, T. S. A.; Harrad, D. Principais itens para relatar revisões sistemáticas e meta-análises: a recomendação PRISMA. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 24, p. 335–342, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.5123/S1679-49742015000200017. Acesso em: 15 out. 2025.
Guimarães, R. A. et al. Trend and spatial clustering of medical education in Brazil: an ecological study. BMC Health Services Research, v. 23, p. 882, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s12913-023-09795-9.
Henrique-Sanches, B. C. et al. Implications of low-cost simulation training on learning motivation. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 33, e4626, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1518-8345.7661.4626.
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo da Educação Superior 2022. Brasília: INEP, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/pesquisas-estatisticas. Acesso em: 09 jan. 2026.
JBI – Joanna Briggs Institute. Evidence Implementation Training Program. 2022. Disponível em: http://www.ee.usp.br/jbibrasil/cursos/evidence-implementation-training-program-eitp/. Acesso em: 15 out. 2025.
Kellermeyer, L.; Harnke, B.; Knight, S. Covidence and Rayyan. Journal of the Medical Library Association: JMLA, v. 106, n. 4, p. 580, 2018. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6148615/. Acesso em: 15 out. 2025.
Mancebo, D. et al. Trabalho docente e gestão financeira na universidade pública. Revista Brasileira de Educação, v. 30, e300021, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1413-24782025300021. Acesso em: 09 jan. 2026.
Mendes, K. M. C. et al. Challenges of education scenarios in primary care in the light of Previne Brasil. Acta Scientiarum. Health Sciences, v. 46, e65883, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.4025/actascihealthsci.v46i1.65883.
Oxford Centre for Evidence-Based Medicine. Levels of evidence. 2024. Disponível em: https://www.cebm.ox.ac.uk/resources/levels-of-evidence/ocebm-levels-of-evidence. Acesso em: 15 out. 2025.
Paim, J. S. et al. Formação em saúde e desafios do financiamento público. Saúde em Debate, v. 46, n. 135, p. 1010–1022, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0103-1104202213518. Acesso em: 09 jan. 2026.
Pedroso, R. T. et al. Telemonitoring as a teaching-learning strategy in health education. BMC Medical Education, v. 24, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s12909-024-05722-6.
Peters, M. D. J. et al. Best practice guidance and reporting items for the development of scoping review protocols. JBI Evidence Synthesis, v. 20, n. 4, p. 953–968, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.11124/JBIES-21-00242. Acesso em: 15 out. 2025.
Pezzi Junior, S. A. et al. Desafios da Formação Universitária Em Saúde no Ensino Superior Público Brasileiro Diante da Precarização do Trabalho Docente e do Subfinanciamento: Revisão de Escopo. Veredas do Direito, [S. l.], v. 23, n. 2, p. e234255, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.18623/rvd.v23.n2.4255. Acesso em: 19 jan. 2026.
Pinho, R. J. et al. Gestão universitária e sustentabilidade da formação em saúde em universidades federais brasileiras. Educação & Sociedade, v. 45, e265498, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/es.265498.
Robertson Moron, R. A. et al. Development of a low-cost simulation model for health education. BMC Medical Education, v. 25, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s12909-025-07381-7.
Sguissardi, V. et al. Universidade pública, financiamento e racionalidade gerencial. Avaliação, v. 28, n. 2, p. 305–320, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1414-40772023000200006. Acesso em: 09 jan. 2026.
Silva, M. R. et al. Ensino remoto e híbrido na formação em saúde em universidades públicas brasileiras: revisão de escopo. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 47, e023, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1981-5271v47.20230023.
Tricco, A. C. et al. PRISMA extension for scoping reviews (PRISMA-ScR): checklist and explanation. Annals of Internal Medicine, v. 169, n. 7, p. 467–473, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.7326/M18-0850. Acesso em: 25 jan. 2026.
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
I (we) submit this article which is original and unpublished, of my (our) own authorship, to the evaluation of the Veredas do Direito Journal, and agree that the related copyrights will become exclusive property of the Journal, being prohibited any partial or total copy in any other part or other printed or online communication vehicle dissociated from the Veredas do Direito Journal, without the necessary and prior authorization that should be requested in writing to Editor in Chief. I (we) also declare that there is no conflict of interest between the articles theme, the author (s) and enterprises, institutions or individuals.
I (we) recognize that the Veredas do Direito Journal is licensed under a CREATIVE COMMONS LICENSE.
Licença Creative Commons Attribution 3.0





