NEUROINFLAMAÇÃO SISTÊMICA: O PAPEL DAS CITOCINAS ENDÓCRINAS NA DOR CRÔNICA ASSOCIADA A TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.6689Keywords:
Neuroinflamação, Dor Crônica, Transtornos Mentais, CitocinasAbstract
A dor crônica e os transtornos psiquiátricos, particularmente o transtorno depressivo maior e os transtornos de ansiedade, apresentam elevada taxa de comorbidade e configuram importante desafio clínico e epidemiológico. Evidências contemporâneas indicam que essa associação ultrapassa fatores psicossociais, sendo sustentada por mecanismos biológicos compartilhados, com destaque para a neuroinflamação sistêmica mediada por citocinas pró-inflamatórias. Nesse contexto, o eixo imunoneuroendócrino emerge como modelo integrador capaz de explicar a interdependência entre hipersensibilidade nociceptiva e desregulação afetiva. Esta revisão teve como objetivo analisar criticamente as evidências acerca do papel das citocinas endócrinas na fisiopatologia da dor crônica associada a transtornos psiquiátricos, enfatizando mecanismos moleculares, alterações neuroplásticas e implicações clínicas. Realizou-se revisão narrativa da literatura a partir de buscas nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science e SciELO, incluindo estudos clínicos, experimentais, revisões sistemáticas e meta-análises publicados predominantemente nos últimos 20 anos. Os achados demonstram que níveis elevados de interleucina-6 (IL-6), fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e interleucina-1 beta (IL-1β) estão associados à intensificação da dor, maior gravidade de sintomas depressivos e pior prognóstico funcional. Mecanisticamente, a sinalização inflamatória periférica promove ativação microglial, sensibilização central e alterações na conectividade de circuitos límbicos e pré-frontais. Adicionalmente, a ativação da via da quinurenina reduz a disponibilidade de serotonina e favorece a produção de metabólitos neurotóxicos, contribuindo para desregulação do humor e amplificação nociceptiva. Conclui-se que a neuroinflamação sistêmica constitui elo fisiopatológico relevante entre dor crônica e transtornos psiquiátricos, reforçando a necessidade de abordagens terapêuticas integradas que considerem biomarcadores inflamatórios e estratégias imunomoduladoras. A compreensão desse eixo amplia perspectivas para intervenções mais precisas e baseadas em mecanismos biológicos.
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