DESEMBRANQUECENDO O CURRÍCULO: RECONFIGURAÇÃO DOS CONTEÚDOS, DAS PRÁTICAS DE ENSINO E DAS POLÍTICAS ESCOLARES A PARTIR DA PERSPECTIVA ANTIRRACISTA DE NILMA LINO GOMES
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.6129Keywords:
Currículo Antirracista, Igualdade Racial, Epistemologias Negras, Práticas PedagógicasAbstract
Em um cenário educacional historicamente marcado pela centralidade de referências eurocêntricas, cresce a necessidade de tensionar os currículos que invisibilizam saberes, culturas e epistemologias negras. A perspectiva antirracista, especialmente a partir de Nilma Lino Gomes, propõe deslocamentos que enfrentam desigualdades estruturais e promovem justiça curricular. Nesse horizonte, a escola passa a ser compreendida como espaço estratégico de disputa, reconhecimento e transformação social. O presente estudo tem como objeto de análise a reconfiguração dos conteúdos curriculares, das práticas pedagógicas e das políticas escolares à luz da perspectiva antirracista, tomando como referência as contribuições teóricas de Nilma Lino Gomes para o processo de “desembranquecimento” do currículo. De que maneira a perspectiva antirracista, fundamentada nas contribuições de Nilma Lino Gomes, pode orientar a reconfiguração do currículo escolar, das práticas de ensino e das políticas educacionais, de modo a promover uma educação comprometida com a equidade racial e a valorização de saberes historicamente marginalizados? Teoricamente, fizemos uso dos trabalhos centralmente de Nilma Lino Gomes (2005; 2012; 2017; 2019), e com auxílio dos repertórios de Anzaldúa (2022), Apple (1999; 2011; 2019), Bernstein (2003), Collins (1999; 2019), Fanon (2008; 2022), Freire (1967; 1970; 1996), Giroux (2024), Gonzalez (2020; 2022), Goodson (1993), Hall (2006), Hasenbalg (2022), hooks (1994; 2003; 2009), Mbembe (2017; 2021), Meneses (2014), Munanga (1999; 2005; 2015), Pinar (2004), Santos (2002; 2014; 2016; 2019), Stenhouse (1975), Tyler (1949), Walsh (2013; 2019), entre outros. A pesquisa é qualitativa (Minayo, 2007), descritiva e bibliográfica (Gil, 2008) e com viés analítico compreensivo (Weber, 1949). Os resultados indicam que a perspectiva antirracista, fundamentada em Nilma Lino Gomes, possibilita a reconfiguração estrutural do currículo ao questionar critérios de legitimidade do conhecimento e incorporar epistemologias negras de forma transversal. Evidencia-se, ainda, que práticas pedagógicas dialógicas e a atuação docente crítica são centrais para a efetivação de uma educação comprometida com a equidade racial. Assim, destaca-se que a institucionalização dessas mudanças nas políticas educacionais é condição indispensável para superar abordagens superficiais e promover transformações duradouras no espaço escola.
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