GOVERNANÇA EM SAÚDE MENTAL CENTRADA NA COORDENAÇÃO DO CUIDADO EM PSIQUIATRIA: REVISÃO DE ESCOPO
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.6118Keywords:
Saúde Mental, Governança em Saúde, Coordenação do Cuidado, Psiquiatria, Modelos AssistenciaisAbstract
Objetivo: Mapear e analisar as evidências sobre modelos de governança em saúde mental centrados na coordenação do cuidado em psiquiatria. Métodos: Revisão de escopo realizada entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, conduzida conforme o Joanna Briggs Institute e reportada segundo o PRISMA-ScR, com protocolo previamente registrado na Open Science Framework. A pergunta norteadora foi estruturada pela estratégia PCC (População: serviços, profissionais e sistemas de saúde mental; Conceito: modelos de governança centrados na coordenação do cuidado em psiquiatria; Contexto: atenção e gestão em saúde mental). Foram incluídos estudos completos publicados nos últimos cinco anos, de acesso livre, em todos os idiomas, abrangendo pesquisas empíricas, qualitativas, análises de políticas, estudos de implementação e revisões. As buscas ocorreram nas bases PubMed, Medline, Scopus, Embase e Cochrane Library, com complementação no Google Acadêmico. A seleção e extração dos dados foram realizadas por dois revisores independentes, com síntese qualitativa dos achados. Resultados e Discussão: Doze estudos compuseram a amostra final. Observou-se predominância de modelos integrados e colaborativos de cuidado, seguidos por estratégias de cuidado escalonado e modalidades comunitárias intensivas, como ACT e FACT, indicando tendência de reorganização sistêmica orientada pela longitudinalidade, integração entre níveis assistenciais e centralidade do cuidado comunitário. A efetividade desses arranjos associa-se a financiamento estável, definição de papéis profissionais, gestão de caso, monitorização baseada em indicadores e sistemas de informação interoperáveis. Persistem lacunas quanto à sustentabilidade em diferentes contextos institucionais, à identificação dos mecanismos específicos de governança responsáveis pelos desfechos clínicos e à validação empírica de frameworks teóricos e digitais. Conclusão: Modelos organizacionais centrados na coordenação do cuidado, especialmente Collaborative Care e cuidado escalonado, constituem referenciais estruturantes para integração entre atenção primária e psiquiatria, promovendo melhora clínica e continuidade assistencial. Entretanto, permanecem incertezas sobre sustentabilidade, mensuração de componentes organizacionais e transferibilidade entre contextos, indicando necessidade de estudos de implementação longitudinal, análises comparativas de governança e desenvolvimento de métricas operacionais de colaboração interprofissional.
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