TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO: AMIGA OU INIMIGA DOS PROFESSORES?
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.6082Keywords:
Tecnologia Educacional, Trabalho Docente, Algoritmos, Pedagogia Crítica, TDICAbstract
A relação entre professores e tecnologia educacional é atravessada por uma ambiguidade profunda: enquanto as TDIC prometem ampliar possibilidades pedagógicas e fomentar inovação, frequentemente se convertem em vetores de controle, sobrecarga e precarização do trabalho docente. Este ensaio teórico-analítico problematiza essa tensão, analisando como plataformas digitais, algoritmos prescritivos e sistemas de IA podem tanto apoiar práticas autônomas e criativas quanto subordinar o julgamento pedagógico a lógicas gerencialistas e mercantis. Fundamentado em revisão narrativa de literatura crítica sobre tecnologia e trabalho docente, o texto explora fundamentos conceituais como intensificação laboral, perda de autonomia e disputa entre projetos educativos neoliberais (eficiência, vigilância) e emancipatórios (participação, justiça social). Destacam-se experiências em que professores redesignam ferramentas digitais para promover colaboração ativa e múltiplas linguagens, contrastando com cenários de extensão da jornada via comunicação permanente e responsabilização punitiva por falhas sistêmicas. O risco de redução do docente a executor de roteiros algorítmicos ameaça a criatividade didática e o sentido político da educação, especialmente em contextos de políticas públicas subalternas às big techs. Contudo, princípios ético-políticos, como transparência algorítmica, formação crítica e participação coletiva, delineiam caminhos para uma mediação humanizadora. Conclui-se que a pergunta "amiga ou inimiga?" é insuficiente: o dilema reside nas correlações de forças sociopolíticas que definem o controle tecnológico. Propõem-se pesquisas empíricas sobre apropriações autônomas, impactos algorítmicos na profissão e políticas soberanas de IA, reafirmando a educação como praxis libertadora contra a colonização digital.
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