A CARNE MAIS BARATA DO MERCADO É A CARNE NEGRA: ANÁLISE DO DISCURSO DA CANÇÃO “A CARNE”, NA VOZ DE ELZA SOARES

Authors

  • Waldemberg Araújo Bessa Universidade Estadual do Maranhão
  • Erika Vanessa Melo Barroso Universidade Federal do Maranhão
  • Wanderson Viveiros Lima Universidade Federal do Maranhão
  • Sabrina Campos Moura Universidade Estadual do Maranhão
  • Everlly Karollynne da Costa Sousa Faculdade de Minas
  • Rita de Cassia da Costa Pereira e Silva Universidade Estadual do Maranhão
  • Jardinara Santos Silva Faculdade de Minas
  • Stephanne Silva Lima Universidade Estadual do Maranhão
  • Iara de Sousa Vasconcelos Faculdade Latino Americana de Educação
  • Francisca de Sousa Vasconcelos Universidade Federal do Maranhão
  • Francisco George Sousa da Silva Universidade Estadual do Maranhão
  • Thylle Silva do Nascimento Universidade Estadual do Maranhão
  • Pâmara da Silva Rolim Universidade Estadual do Maranhão
  • Lina Mara Vieira Borges Universidade Estadual do Maranhão
  • Raimunda Sousa dos Santos Universidade Estadual do Maranhão
  • Vitor Ferreira Nascimento Universidade Estadual do Maranhão
  • Thallyson Vieira de Moraes Silva Universidade Estadual do Maranhão

DOI:

https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5769

Keywords:

Análise do Discurso, Música Popular Brasileira, Racismo Estrutural, Corpo Negro, Memória Discursiva

Abstract

A música popular brasileira (MPB), enquanto prática cultural e discursiva, constitui um espaço privilegiado de produção de sentidos sobre as relações sociais, raciais e históricas no Brasil. Nesse contexto, a canção “A Carne”, composta por Seu Jorge, Marcelo Yuka e Wilson Capellette e interpretada por Elza Soares, destaca-se como um enunciado de forte denúncia do racismo estrutural e da mercantilização histórica dos corpos negros. A relevância deste estudo justifica-se pela necessidade de compreender como a linguagem musical, articulada à memória social e à ideologia, contribui para a visibilização de desigualdades racializadas que persistem no tecido social brasileiro. O objetivo geral do artigo é analisar a canção “A Carne” à luz da Análise do Discurso, investigando os efeitos de sentido produzidos pela articulação entre linguagem, ideologia, corpo e memória, com especial atenção ao papel da interpretação vocal de Elza Soares como gesto discursivo de resistência e enfrentamento político. A metodologia adotada é de natureza qualitativa e interpretativista, fundamentada na Análise do Discurso de linha francesa. O corpus de análise é constituído por fragmentos da letra da canção e por elementos da performance vocal da intérprete, compreendidos como materialidades discursivas. A canção é analisada como texto de multiplicidade de ideias, no qual se articulam linguagem verbal, musicalidade e voz, consideradas instâncias produtoras de sentidos sociais e históricos. O referencial teórico ancora-se, principalmente, nos estudos de Pêcheux (1997), que compreende o discurso como efeito de sentidos produzido nas relações entre língua, história e ideologia, e de Orlandi (2015), que enfatiza a noção de memória discursiva, o funcionamento do não-dito e a constituição do sujeito interpelado ideologicamente. Esses aportes teóricos possibilitam compreender o racismo não como fenômeno individual, mas como prática discursiva e ideológica materializada na linguagem e nas instituições sociais. A fundamentação teórica organiza-se em torno de quatro eixos centrais: a música popular brasileira como prática discursiva e espaço de produção de sentidos sociais; a relação entre linguagem, ideologia e sujeito na Análise do Discurso; o corpo negro como lugar simbólico de inscrição da memória histórica, da exploração e da violência institucional; a voz de Elza Soares como gesto discursivo de resistência, na qual corpo, história e linguagem se imbricam na produção de um contra-discurso ao racismo estrutural. “A Carne” configura-se como um acontecimento discursivo que rompe com a naturalização da desigualdade racial, reinscrevendo a experiência negra como central na crítica às estruturas históricas de opressão no Brasil contemporâneo.

References

ORLANDI, E. P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 12. ed. Campinas: Pontes, 2015.

PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. 3. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 1997.

SCHWARCZ, L. M. Racismo no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

SODRÉ, M. A verdade seduzida: por um conceito de cultura no Brasil. Rio de Janeiro: Mauad, 2017.

TINHORÃO, J. R. História social da música popular brasileira. São Paulo: Editora 34, 2013.

Published

2026-04-07

How to Cite

Bessa, W. A., Barroso, E. V. M., Lima, W. V., Moura, S. C., Sousa, E. K. da C., Silva, R. de C. da C. P. e, … Silva, T. V. de M. (2026). A CARNE MAIS BARATA DO MERCADO É A CARNE NEGRA: ANÁLISE DO DISCURSO DA CANÇÃO “A CARNE”, NA VOZ DE ELZA SOARES. Veredas Do Direito, 23(6), e235769. https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5769