LIMITES DA ATUAÇÃO ESTATAL COMO POLÍTICA PÚBLICA PROTEÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS DE TRABALHADORES MIGRANTES FRENTE AO TRABALHO ANÁLOGO À ESCRAVIDÃO NO BRASIL

Authors

DOI:

https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5752

Keywords:

Direitos Humanos, Migração Internacional, Políticas Públicas, Trabalho Análogo à Escravidão, Trabalhadores Migrantes

Abstract

O artigo analisa o trabalho análogo à escravidão envolvendo trabalhadores migrantes no Brasil a partir de uma abordagem centrada nos direitos humanos e na atuação estatal como política pública. Parte-se da compreensão de que essa forma contemporânea de exploração não constitui resquício histórico isolado, mas expressão de desigualdades estruturais que organizam o mundo do trabalho e regulam de forma hierarquizada os regimes de mobilidade humana. O objetivo é examinar de que modo a condição migrante, articulada a fatores sociais, econômicos e institucionais, intensifica situações de vulnerabilidade e evidencia os limites da proteção estatal. Metodologicamente, adota-se abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, com diálogo entre o campo jurídico, os estudos migratórios e a literatura sobre políticas públicas. O percurso analítico articula três eixos: migração, vulnerabilidade e inserção laboral; o trabalho escravo contemporâneo como violação de direitos humanos; e a atuação estatal no enfrentamento do fenômeno. Conclui-se que, embora o Brasil disponha de arcabouço normativo e institucional relevante, persiste o descompasso entre a universalidade formal dos direitos humanos e sua realização material, exigindo o fortalecimento de políticas públicas integradas e sensíveis às vulnerabilidades concretas dos trabalhadores migrantes.

References

BALES, Kevin. Disposable people: new slavery in the global economy. Berkeley: University of California Press, 2012.

BUCCI, Maria Paula Dallari. Quadro de referência de uma política pública: primeiras linhas de uma visão jurídico-institucional. In: BUCCI, Maria Paula Dallari. O Direito na fronteira das políticas públicas. São Paulo: Páginas e Letras Editora e Gráfica, 2015. p. 7–11. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Maria-Paula-Bucci/publication/301776630_Quadro_de_referencia_de_uma_politica_publica/links/57275b0608aee491cb4141bb/Quadro-de-referencia-de-uma-politica-publica.pdf. Acesso em: 15 mar. 2026.

OBSERVATÓRIO DA ERRADICAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO E DO TRÁFICO DE PESSOAS. Contexto geográfico: resgatados do trabalho escravo: Brasil, 1995 a 2023. [2024a]. Disponível em: https://smartlabbr.org/trabalhoescravo/localidade/0?dimensao=prevalencia. Acesso em: 15 mar. 2026.

OBSERVATÓRIO DA ERRADICAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO E DO TRÁFICO DE PESSOAS. Resgatados: setores econômicos mais frequentemente envolvidos: Brasil, de 1995 a 2023. [2024b]. Disponível em: https://smartlabbr.org/trabalhoescravo/localidade/0?dimensao=perfilCasosTrabalhoEscravo. Acesso em: 15 mar. 2026.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Declaração universal dos direitos humanos. Assembleia Geral das Nações Unidas. Resolução 217 A (III), 10 dez. 1948. Disponível em: https://www.oas.org/dil/port/1948%20Declara%C3%A7%C3%A3o%20Universal%20dos%20Direitos%20Humanos.pdf. Acesso em: 15 mar. 2026.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT). Atuação da inspeção do trabalho no Brasil para a erradicação do trabalho análogo ao de escravo: balanço 2020. Brasília: Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, [2021]. Disponível em: https://www.gov.br/trabalhoe-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/areas-de-atuacao/relatorio-2020-sit-oit-1.pdf. Acesso em: 15 mar. 2026.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT). Convenção sobre as imigrações efectuadas em condições abusivas e sobre a promoção da igualdade de oportunidades e de tratamento dos trabalhadores migrantes. In: CONFERÊNCIA GERAL DA ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, 60., 1975, Genebra. Conferência... Genebra: OIT, 1975. Disponível em: https://aplicacao.itamaraty.gov.br/ApiConcordia/Documento/download/27137. Acesso em: 15 mar. 2026.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT). Declaração da OIT sobre princípios e direitos fundamentais no trabalho e seu seguimento. Genebra: OIT, 1998. Disponível em: https://www.ilo.org/pt-pt/media/267776/download. Acesso em: 15 mar. 2026.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT). Normas da OIT sobre o trabalho forçado: o novo protocolo e a nova recomendação em resumo. Genebra: OIT, 2018. Disponível em: https://www.ilo.org/pt-pt/publications/normas-da-oit-sobre-o-trabalhoforcado-o-novo-protocolo-e-nova-recomendacao. Acesso em: 15 mar. 2026.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL PARA AS MIGRAÇÕES (OIM). World Migration Report 2024. Genebra: International Organization for Migration, 2024. Disponível em: https://brazil.iom.int/sites/g/files/tmzbdl1496/files/documents/2024-05/world-migration-report-2024.pdf. Acesso em: 15 mar. 2026.

PADOVANI, Daniela W. Direito do trabalho e imigração: imigrantes indocumentados e a proteção da OIT. São Paulo: Almedina, 2022. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786556275857/. Acesso em: 15 mar. 2026.

PARELLA RUBIO, Sonia. Segregación laboral y vulnerabilidad social de la mujer inmigrante a partir de la interacción entre la clase social, el género y la etnia. In: El uso de las políticas sociales por las mujeres inmigrantes. 2005. p. 97–136. Disponível em: https://ddd.uab.cat/pub/caplli/2005/216882/usopolsoc_a2005p97iSPA.pdf. Acesso em: 15 mar. 2026.

PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito constitucional internacional. São Paulo: Saraiva, 2022.

RICCI, Carla; SILVA, Jéssica Monteiro Clementino da. Atualizações da lei migratória brasileira: um novo paradigma das migrações? O Social em Questão, v. 21, n. 41, p. 23–44, 2018. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/5522/552264297001/552264297001.pdf. Acesso em: 15 mar. 2026.

SAKAMOTO, Leonardo et al. Escravidão contemporânea. São Paulo: Contexto, 2020.

SAMPAIO, Marcos. O conteúdo essencial dos direitos sociais. Rio de Janeiro: Saraiva, 2013. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788502189942/. Acesso em: 15 mar. 2026.

SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. 3. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003.

SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais na Constituição de 1988. 3. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2004.

SARMENTO, Daniel. Dignidade da pessoa humana: conteúdo, trajetórias e metodologia. Belo Horizonte: Fórum, 2016.

SASSEN, Saskia. Expulsões: brutalidade e complexidade na economia global. São Paulo: Paz e Terra, 2020.

SASSEN, Saskia. Sociologia da globalização. Porto Alegre: Artmed, 2010.

SAYAD, Abdelmalek. A imigração ou os paradoxos da alteridade. São Paulo: EDUSP, 1998.

SCHWARZ, Rodrigo Garcia. Terra de trabalho, terra de negócio: o trabalho escravo contemporâneo na perspectiva (da violação) dos direitos sociais. São Paulo: LTr, 2014. Disponível em: https://www.academia.edu/download/56285736/Tese-RodrigoSchwarz-Historia-Completa.pdf. Acesso em: 15 mar. 2026.

SCHWINN, Simone Andrea; MORSCH, Dionathan. Migração e trabalho: a vulnerabilidade dos trabalhadores migrantes indocumentados frente aos Estados nacionais. In: Políticas públicas e demandas sociais. 2016. p. 452. Disponível em: https://app.eventize.com.br/upload/001269/files/2016%20-%20Politicas%20Publicas%20e%20Demandas%20Sociais%20-%20Sem%20Nac%202015(1).pdf#page=452. Acesso em: 15 mar. 2026.

SILVA, Virgílio Afonso da. Direitos fundamentais: conteúdo essencial, restrições e eficácia. São Paulo: Malheiros, 2009.

SOUZA, Celina Maria de. Políticas públicas: questões temáticas e de pesquisa. 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/soc/a/6YsWyBWZSdFgfSqDVQhc4jm/?format=html&lang=pt. Acesso em: 15 mar. 2026.

SOUZA, Celina. Estado da arte da pesquisa em políticas públicas. In: Políticas públicas no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2007. p. 65–86.

SPRANDEL, Marcia Anita. Marcos legais e políticas migratórias no Brasil. In: PEIXOTO DO PRADO, E. J.; COELHO, R. (org.). Migrações e trabalho. Brasília: Ministério Público do Trabalho, 2015. p. 41–54. Disponível em: http://haitiaqui.provisorio.ws/wordpress/wp-content/uploads/2016/10/COELHO-R.-PEIXOTO-DO-PRADO-E.-J.-2015.-Migra%C3%83%C2%A7%C3%83%C2%B5es-e-trabalho.-Minist%C3%83%C2%A9rio-P%C3%83%C2%BAblico-do-Trabalho.-Bras%C3%83%C2%ADlia.pdf#page=42. Acesso em: 15 mar. 2026.

TONHATI, Tânia; MACEDO, Marília. Imigração de mulheres no Brasil. In: CAVALCANTI, L.; OLIVEIRA, T.; MACEDO, M. Imigração e refúgio no Brasil. 2020. p. 111–141. Disponível em: https://www.academia.edu/download/87930524/490783063.pdf. Acesso em: 15 mar. 2026.

TORELLY, Marcelo et al. Acesso dos migrantes internacionais ao mercado de trabalho brasileiro: desafios e oportunidades com as empresas. São Paulo: OIM, 2018. Disponível em: https://brazil.iom.int/sites/g/files/tmzbdl1496/files/documents/BRL-OIM%2520009.pdf. Acesso em: 15 mar. 2026.

WIMMER, Andreas. Ethnic boundary making: institutions, power, networks. Oxford: Oxford University Press, 2013.

ZETTER, Roger. Labelling refugees: forming and transforming a bureaucratic identity. Journal of Refugee Studies, v. 4, n. 1, p. 39–62, 1991.

ZETTER, Roger. Reframing displacement crises as development opportunities. Policy Brief prepared for the Global Initiative on Solutions. Copenhagen Roundtable, p. 2–3, 2014. Disponível em: https://alnap.org/documents/12303/pn-reframing-displacement-crises-2014.pdf/. Acesso em: 15 mar. 2026.

Published

2026-05-07

How to Cite

Teixeira, F. de S., Fernandes, M. H., & Brasil, B. de S. (2026). LIMITES DA ATUAÇÃO ESTATAL COMO POLÍTICA PÚBLICA PROTEÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS DE TRABALHADORES MIGRANTES FRENTE AO TRABALHO ANÁLOGO À ESCRAVIDÃO NO BRASIL. Veredas Do Direito, 23(7), e235752. https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5752