MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS E JUDICIALIZAÇÃO

Authors

DOI:

https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5561

Keywords:

Medicina Baseada em Evidências, Judicialização da Saúde, Autonomia Médica, Segurança do Paciente

Abstract

A Medicina Baseada em Evidências constitui um dos pilares fundamentais da prática clínica contemporânea, orientando a tomada de decisão terapêutica a partir da melhor evidência científica disponível, aliada à experiência do profissional e às preferências do paciente. Nas últimas décadas, contudo, observa-se o crescimento expressivo da judicialização da saúde, fenômeno que tem impactado diretamente a autonomia médica e a condução clínica dos tratamentos. O presente artigo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, os efeitos da judicialização sobre a prática da medicina baseada em evidências, com especial atenção às repercussões clínicas, éticas e assistenciais. A metodologia adotada consiste na identificação, seleção e análise de estudos nacionais e internacionais publicados em bases de dados científicas relevantes, que abordem a interface entre decisões judiciais, condutas médicas e evidência científica. Os resultados indicam que a interferência judicial pode gerar conflitos entre prescrições clínicas fundamentadas cientificamente e determinações judiciais baseadas em demandas individuais, impactando a segurança do paciente, a racionalidade terapêutica e a organização dos sistemas de saúde. Conclui-se que o fortalecimento da medicina baseada em evidências e o diálogo interdisciplinar entre saúde e sistema de justiça são essenciais para a promoção de decisões mais equilibradas e alinhadas à proteção do direito à saúde.

References

BARATA, Rita Barradas. Judicialização da saúde e equidade no acesso aos serviços de saúde. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 23, n. 6, p. 1897–1906, 2018.

BIELECKI, Janaína. AITH, Fernando. Judicialização da saúde no Brasil: limites e possibilidades. Revista de Direito Sanitário, São Paulo, v. 20, n. 1, p. 7–27, 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes metodológicas: elaboração de diretrizes clínicas. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

DALLARI, Sueli Gandolfi. O direito à saúde. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 49, p. 1–6, 2015.

ELWYN, Glyn et al. Shared decision making and evidence-based medicine. BMJ, London, v. 364, p. l232, 2019.

GOLDENBERG, Paulo. A prática médica baseada em evidências: fundamentos e desafios. Revista Brasileira de Educação Médica, Brasília, v. 41, n. 3, p. 452–459, 2017.

GREENHALGH, Trisha et al. Evidence based medicine: a movement in crisis? BMJ, London, v. 348, p. g3725, 2014.

MARMOR, Theodore R.. OBERLANDER, Jonathan. From HMOs to ACOs: the quest for value-based medicine. Journal of Health Politics, Policy and Law, Durham, v. 41, n. 4, p. 647–672, 2016.

MENDES, Eugênio Vilaça. As redes de atenção à saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2011.

NUNES, João Arriscado. LOURENÇO, Ana Cristina. Medicalização, judicialização e saúde pública. Sociologia, Problemas e Práticas, Lisboa, n. 82, p. 9–27, 2016.

SACKETT, David L. et al. Evidence based medicine: what it is and what it isn’t. BMJ, London, v. 312, n. 7023, p. 71–72, 1996.

SILVA, Hudson Pacífico da. Judicialização da saúde: análise crítica das decisões judiciais. Revista de Direito Sanitário, São Paulo, v. 21, n. 2, p. 89–110, 2020.

STARFIELD, Barbara. Is patient-centered care the same as person-focused care? The Permanente Journal, Oakland, v. 15, n. 2, p. 63–69, 2011.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Patient safety: global action plan 2021–2030. Geneva: WHO, 2021.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO handbook for guideline development. 2. ed. Geneva: WHO, 2014.

Published

2026-03-26

How to Cite

Dasinger, G. L. M., Taboni, A. C. D., & Iaremchuc, K. (2026). MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS E JUDICIALIZAÇÃO. Veredas Do Direito, 23(5), e235561. https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5561