O DIREITO À COMUNICAÇÃO POR MEIO DO RÁDIO: EDUCAÇÃO DIGITAL E MIDIÁTICA NO CONTEXTO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS E DA ONTOLOGIA DA RADIOMORFOSE ALTERNATIVA
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5493Keywords:
Etnomídias Indígenas, Educomunicação Quilombola, Rádios Comunitárias LivresAbstract
Este artigo analisa a convergência entre comunicação popular, radiodifusão e os novos paradigmas da Educação Digital e Midiática propostos pelo MEC, o estudo procura demonstrar como o entendimento crítico da mídia é um pressuposto para a cidadania e para a atuação dos movimentos sociais. Investigando aspectos da relação publicitária e a programação radiofônica, a pesquisa demonstra que o letramento mediático é fundamental para o exercício da cidadania e o fortalecimento de movimentos sociais. Metodologicamente, o estudo utiliza análise documental e de conteúdo sonoro para examinar a radiomorfose alternativa. O foco recai sobre o papel das rádios livres e etnomídias — indígenas e negras — como ferramentas decoloniais de enfrentamento ao racismo estrutural. O trabalho introduz também o conceito de Aquilombamento Virtual Midiático (AVM), definindo-o como uma categoria analítica central para compreender a resistência dessas comunidades no ambiente digital através de podcasts e web-rádios. Conclui-se que tais iniciativas operam uma "guerrilha das ondas", promovendo contra-narrativas e paridade de participação contra o mainstream. Por fim, defende-se que a Educação Midiática deve priorizar a interiorização e a visibilidade das vozes minoritárias, integrando produções alternativas ao ambiente escolar como estratégia crítica para a reconfiguração dos territórios simbólicos e a democratização da comunicação no Brasil.
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