PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO DOCENTE: A BUSCA POR UMA PRÁXIS DECOLONIAL
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5489Keywords:
Lei nº 10,639/03, Movimento Negro, Formação de Docentes Negras/as, Práxis Pedagógica Decolonial, Saberes Afro-BrasileirosAbstract
Neste estudo, objetivamos analisar processos de subjetivação em docentes negras/as e sua relação com a construção de uma práxis decolonial no cotidiano escolar, sob o manto da Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. No percurso teórico-metodológico, elegemos a pesquisa qualitativa de cunho bibliográfico e documental, articulando conceitos de subjetividade, ativismo político e saberes produzidos pelo Movimento Negro. Na presente investigação, os resultados indicam que a implementação efetiva da Lei nº 10.639/03 reclama para si uma revolução copernicana nos processos de subjetivação docente: ao confrontar as distorções do espelho social e resgatar o seu rosto e a sua ancestralidade, a/o docente negra/o converte o ato de ensinar num exercício de insurgência e reparação histórica. No que-fazer político-pedagógico, a práxis decolonial desvela-se, exatamente, no momento em que docentes negras/as — num ato de valentia, ousadia e teimosia — assumem o protagonismo discursivo-existencial de narrar sua história pessoal, o sentido e o sentido último da vida. Ex-istimos discursivamente, tateando entre as palavras, incontestavelmente! No século XXI, o ato político de educar — cingido em processos autênticos de subjetivação docente — trans-forma a sala de aula num espaço ontológico de [r]ex-istência, de dignidade humana e de esperança.
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