A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA E POLÍTICA DO COLETIVO LGBT SEM TERRA NO MST

Authors

DOI:

https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5390

Keywords:

Direitos Coletivos, Diversidade Sexual, LGBTQIA+, MST

Abstract

O presente texto analisa a construção histórica e política do Coletivo LGBT Sem Terra no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST e sua efetivação como parte fundamental do processo de consolidação de uma Reforma Agrária Popular. Com a adoção da agroecologia o MST impulsionou discussões sobre gênero e diversidade sexual, contribuindo para a transformação das relações de poder nos assentamentos. A incorporação de discussões antes deixadas de lado pelo projeto de Reforma Agrária tradicional implementado em diversos países, trouxe para o MST a oportunidade de experimentar e ampliar a própria noção de território e identidade. O camponês não precisa somente de terra, mas de condições de vida que propiciem a garantia de sua dignidade, respeitando questões de gênero, sexualidade e raça e sobretudo, da ética relação com a natureza e o território. Nesse sentido, o Coletivo LGBT Sem Terra, fortaleceu o combate ao patriarcado e à heteronormatividade, ampliando o projeto político do movimento. A pesquisa, baseada em revisão bibliográfica e documental, evidencia que pessoas LGBTQIA+ sempre estiveram presentes no MST, mas a formalização do coletivo permitiu sua visibilidade e auto-organização.

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Published

2026-03-27

How to Cite

Souza Filho, C. F. M. de, Chagas, D. M. das, & Ferreira, I. C. da S. (2026). A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA E POLÍTICA DO COLETIVO LGBT SEM TERRA NO MST. Veredas Do Direito, 23(5), e235390. https://doi.org/10.18623/rvd.v23.5390