FORMAÇÃO, CURRÍCULO E EMANCIPAÇÃO – OS IMPACTOS DA RACIONALIDADE NEOLIBERAL NA PRÁTICA PEDAGÓGICA, NA CONSTITUIÇÃO DOS SUJEITOS E NAS TENSÕES COM A EDUCAÇÃO CRÍTICA DE PAULO FREIRE
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.n4.4844Keywords:
Racionalidade Neoliberal, Currículo, Prática Pedagógica, Educação CríticaAbstract
Nas últimas décadas, a educação básica e superior tem sido atravessada por reformas orientadas pela racionalidade neoliberal, marcadas pela centralidade da eficiência, da mensuração de resultados e da padronização curricular. Esse movimento reconfigura o currículo e a prática pedagógica, produzindo formas de formação alinhadas à lógica do desempenho e da adaptação às exigências do mercado. Diante desse contexto, o presente artigo toma como objeto de análise os impactos da racionalidade neoliberal sobre a formação escolar, o currículo e a constituição dos sujeitos, examinando suas implicações para a prática pedagógica e suas tensões com a tradição da educação crítica. Em contraposição às lógicas de controle, padronização e instrumentalização do conhecimento, o estudo dialoga com o pensamento de Paulo Freire, compreendendo a educação como prática de liberdade, processo dialógico e construção coletiva de consciência histórica, capaz de resistir às formas contemporâneas de dominação simbólica e pedagógica. A investigação organiza-se a partir da seguinte pergunta de partida: de que modo a racionalidade neoliberal, materializada nas políticas curriculares e nos dispositivos de gestão educacional, impacta a prática pedagógica e a constituição dos sujeitos, e em que medida a educação crítica freireana oferece fundamentos teórico-políticos para tensionar, resistir e reorientar esses processos em direção a uma formação emancipatória? Teoricamente, foram utilizados os trabalhos de Paulo Freire centralmente, conjugando com as ideias de outros autores. A pesquisa é qualitativo (Minayo, 2007), descritivo e bibliográfico (Gil, 2008) e com o viés analítico compreensivo (Weber, 1949). A análise evidenciou que a racionalidade neoliberal incide diretamente sobre o currículo e a prática pedagógica ao priorizar a mensuração, a eficiência e a competitividade, contribuindo para a constituição de subjetividades performativas e para o enfraquecimento da dimensão coletiva da formação. Constatou-se, ainda, que tais processos tensionam a autonomia docente e reduzem a experiência educativa à lógica do desempenho. Em contrapartida, o referencial freireano demonstrou oferecer fundamentos teórico-políticos consistentes para problematizar essa racionalidade e reorientar a escola em direção a práticas dialógicas, críticas e emancipadoras. Desse modo, reafirma-se a educação como espaço de humanização, consciência histórica e transformação social.
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