QUEM FALA, DE ONDE FALA E QUEM É OUVIDO? CONTRIBUIÇÕES DO LÓCUS DE ENUNCIAÇÃO DE WALTER MIGNOLO E DO LUGAR DE FALA DE DJAMILA RIBEIRO PARA UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA, DECOLONIAL E EMANCIPATÓRIA

Authors

  • Waldyr Barcellos Júnior
  • Ana Cláudia Afonso Valladares-Torres
  • Douglas Luiz de Oliveira Moura
  • Terezinha Sirley Ribeiro Sousa
  • Dilcinéa dos Santos Oliveira Reis
  • Samuel Gonçalves Pinto
  • Uyara Magalhães de Melo Caballero Fiel
  • Maria Helena de Assis Laranjeira Gomes
  • Noemi dos Reis Corrêa
  • Guilherme Santos da Silva
  • Tamires Aparecida Batista de Oliveira
  • Maria Aparecida Alves Silva
  • Lucas de Marco Cezar
  • Gabriela Loureiro Barcelos
  • Jacqueline Alves da Silva
  • Pedro Henrique Tessaro Eidt

DOI:

https://doi.org/10.18623/rvd.v23.8269

Keywords:

Lócus de Enunciação, Lugar de Fala, Educação Antirracista, Decolonialidade

Abstract

As desigualdades raciais presentes na educação também se manifestam na definição de quais conhecimentos são legitimados, quais experiências são reconhecidas e quais sujeitos encontram condições efetivas para falar e ser ouvidos. Nesse cenário, a educação antirracista exige o questionamento das hierarquias epistêmicas herdadas da colonialidade e dos silenciamentos que atravessam os espaços formativos. O artigo tem como objeto de pesquisa as contribuições do lócus de enunciação, em Walter Mignolo, e do lugar de fala, em Djamila Ribeiro, para a construção de uma educação antirracista, decolonial e emancipatória. A investigação parte da seguinte pergunta: de que maneira o lócus de enunciação de Walter Mignolo e o lugar de fala de Djamila Ribeiro contribuem para problematizar as hierarquias raciais e epistêmicas presentes na educação e para fortalecer práticas pedagógicas antirracistas, decoloniais e emancipadoras? Teoricamente, fizemos uso dos trabalhos de Mignolo (2005; 2010; 2012), acerca da colonialidade, da diferença colonial, da geopolítica do conhecimento, do lócus de enunciação e do pensamento liminar, e de Ribeiro (2018; 2019a; 2019b), sobre lugar de fala, localização social, hierarquização dos saberes e regimes de autorização discursiva, estabelecendo o que denominamos de “confluência epistêmico-política” entre essas categorias. O diálogo foi ampliado pelas contribuições de hooks (2003; 2010; 2015), Fanon (2008; 2022), Freire (1992; 2014a; 2014b; 2014c), Carneiro (2019; 2023), Walsh (2013), Gonzalez e Hasenbalg (2022), Gonzalez (2020), Gomes (2017; 2019), Collins (2000), cujas formulações permitem relacionar racialização, silenciamento, produção de conhecimentos, resistência, emancipação e práticas pedagógicas antirracistas e decoloniais. A pesquisa é de cunho qualitativa (Minayo, 2007), descritiva e bibliográfica (Gil, 2008) e analítico-compreensiva (Weber, 1949). Os achados demonstram que as hierarquias raciais presentes na educação também regulam a produção, a circulação e o reconhecimento dos saberes. A confluência entre lócus de enunciação e lugar de fala revelou que toda produção intelectual é socialmente localizada e participa de relações desiguais de autoridade epistêmica. Concluímos que práticas pedagógicas antirracistas, decoloniais e emancipadoras exigem autoria coletiva, reorganização pluriversal do currículo e participação efetiva dos sujeitos historicamente subalternizados nas decisões educacionais.

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Published

2026-09-08

How to Cite

Barcellos Júnior, W., Valladares-Torres, A. C. A., Moura, D. L. de O., Sousa, T. S. R., Reis, D. dos S. O., Pinto, S. G., … Eidt, P. H. T. (2026). QUEM FALA, DE ONDE FALA E QUEM É OUVIDO? CONTRIBUIÇÕES DO LÓCUS DE ENUNCIAÇÃO DE WALTER MIGNOLO E DO LUGAR DE FALA DE DJAMILA RIBEIRO PARA UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA, DECOLONIAL E EMANCIPATÓRIA. Veredas Do Direito, 23(14), e238269. https://doi.org/10.18623/rvd.v23.8269