ENTRE O CONTROLE E A EXCLUSÃO: HOSPITALIZAÇÕES, VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E DESIGUALDADES TERRITORIAIS DA HANSENÍASE NO BRASIL CONTEMPORÂNEO
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.8204Keywords:
Hanseníase, Hospitalização, Vigilância Epidemiológica, Desigualdades TerritoriaisAbstract
Embora tenha cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a hanseníase permanece como um problema de saúde pública no Brasil, marcado pela transmissão persistente, pelo diagnóstico tardio e pelo risco de incapacidades físicas. Sua distribuição desigual revela que o controle da doença não depende apenas da disponibilidade terapêutica, mas também das condições sociais dos territórios e da capacidade dos serviços de reconhecer, acompanhar e tratar precocemente os casos. O artigo tem como objeto de pesquisa as relações entre as hospitalizações associadas à hanseníase, o desempenho da vigilância epidemiológica e as desigualdades territoriais na distribuição, na detecção e na evolução da doença no Brasil contemporâneo. A investigação parte da seguinte pergunta: de que maneira as hospitalizações associadas à hanseníase e os indicadores da vigilância epidemiológica evidenciam desigualdades territoriais no acesso ao diagnóstico, ao tratamento oportuno e à prevenção de incapacidades entre as regiões, os estados e os municípios brasileiros? Teoricamente, fizemos uso dos trabalhos de Paim (2006; 2008; 2018), Starfield (2002), Barata (2009), Marmot (2015), Gordis (2013), Waldman (1998), Rosen (1979), Santos (2001; 2006), Goffman (1963), Sontag (1978), Barcellos (2008), Meade e Emch (2010), Gatrell e Elliott (2015), Cromley e McLafferty (2011), Guimarães (2014), Cole e Singh (2012), Gussow (1989), Edmond (2007), Leloir (1886), Saunderson (2002), Sardana e Khurana (2023), entre outros. A pesquisa é qualitativa (Minayo, 2007), de caráter descritivo, bibliográfico e documental (Gil, 2008), apoiada na análise descritiva de dados quantitativos secundários provenientes de boletins oficiais, do Sinan e do SIH/SUS e orientada por uma abordagem analítico-compreensiva (Weber, 1949). Os resultados revelaram uma distribuição territorial desigual das hospitalizações, da detecção e das incapacidades associadas à hanseníase no Brasil. A elevada proporção de casos multibacilares, o crescimento dos diagnósticos com graus 1 e 2 de incapacidade e as diferenças no acompanhamento demonstraram a permanência de barreiras ao diagnóstico oportuno e à continuidade do cuidado. Quando examinadas em conjunto com os indicadores da vigilância epidemiológica, as internações expressaram diferentes combinações entre carga da doença, agravamento clínico, acesso hospitalar e capacidade assistencial dos territórios, evidenciando que as desigualdades regionais, estaduais e municipais condicionam as possibilidades de diagnóstico precoce, tratamento oportuno e prevenção de incapacidades.
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