ENTRE O CONTROLE E A EXCLUSÃO: HOSPITALIZAÇÕES, VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E DESIGUALDADES TERRITORIAIS DA HANSENÍASE NO BRASIL CONTEMPORÂNEO

Authors

  • Roberta Dich Siqueira
  • Rubens Alex de Oliveira Menezes
  • Elizandra Aparecida de Oliveira Lopes
  • Diones da Rocha Rosa
  • Karina Gatti de Abreu
  • Eduardo Vinícius Barboza dos Santos
  • Gabriel Lopes Madeira Nascimento
  • Fabiana Rezer
  • Sayonara Brandão de Lima
  • Isabelle Bortolini
  • Mariana Feitoza Pereira
  • Aline Bezerra Veras
  • Pedro Henrique Tessaro Eidt
  • Mônica Fernandes Delapasse
  • Albenice Vieira da Costa
  • Geovana Sousa Resende
  • Milena Emannuele Costa das Chagas

DOI:

https://doi.org/10.18623/rvd.v23.8204

Keywords:

Hanseníase, Hospitalização, Vigilância Epidemiológica, Desigualdades Territoriais

Abstract

Embora tenha cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a hanseníase permanece como um problema de saúde pública no Brasil, marcado pela transmissão persistente, pelo diagnóstico tardio e pelo risco de incapacidades físicas. Sua distribuição desigual revela que o controle da doença não depende apenas da disponibilidade terapêutica, mas também das condições sociais dos territórios e da capacidade dos serviços de reconhecer, acompanhar e tratar precocemente os casos. O artigo tem como objeto de pesquisa as relações entre as hospitalizações associadas à hanseníase, o desempenho da vigilância epidemiológica e as desigualdades territoriais na distribuição, na detecção e na evolução da doença no Brasil contemporâneo. A investigação parte da seguinte pergunta: de que maneira as hospitalizações associadas à hanseníase e os indicadores da vigilância epidemiológica evidenciam desigualdades territoriais no acesso ao diagnóstico, ao tratamento oportuno e à prevenção de incapacidades entre as regiões, os estados e os municípios brasileiros? Teoricamente, fizemos uso dos trabalhos de Paim (2006; 2008; 2018), Starfield (2002), Barata (2009), Marmot (2015), Gordis (2013), Waldman (1998), Rosen (1979), Santos (2001; 2006), Goffman (1963), Sontag (1978), Barcellos (2008), Meade e Emch (2010), Gatrell e Elliott (2015), Cromley e McLafferty (2011), Guimarães (2014), Cole e Singh (2012), Gussow (1989), Edmond (2007), Leloir (1886), Saunderson (2002), Sardana e Khurana (2023), entre outros. A pesquisa é qualitativa (Minayo, 2007), de caráter descritivo, bibliográfico e documental (Gil, 2008), apoiada na análise descritiva de dados quantitativos secundários provenientes de boletins oficiais, do Sinan e do SIH/SUS e orientada por uma abordagem analítico-compreensiva (Weber, 1949). Os resultados revelaram uma distribuição territorial desigual das hospitalizações, da detecção e das incapacidades associadas à hanseníase no Brasil. A elevada proporção de casos multibacilares, o crescimento dos diagnósticos com graus 1 e 2 de incapacidade e as diferenças no acompanhamento demonstraram a permanência de barreiras ao diagnóstico oportuno e à continuidade do cuidado. Quando examinadas em conjunto com os indicadores da vigilância epidemiológica, as internações expressaram diferentes combinações entre carga da doença, agravamento clínico, acesso hospitalar e capacidade assistencial dos territórios, evidenciando que as desigualdades regionais, estaduais e municipais condicionam as possibilidades de diagnóstico precoce, tratamento oportuno e prevenção de incapacidades.

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Published

2026-09-02

How to Cite

Siqueira, R. D., Menezes, R. A. de O., Lopes, E. A. de O., Rosa, D. da R., Abreu, K. G. de, Santos, E. V. B. dos, … Chagas, M. E. C. das. (2026). ENTRE O CONTROLE E A EXCLUSÃO: HOSPITALIZAÇÕES, VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA E DESIGUALDADES TERRITORIAIS DA HANSENÍASE NO BRASIL CONTEMPORÂNEO. Veredas Do Direito, 23(14), e238204. https://doi.org/10.18623/rvd.v23.8204