ACREDITAÇÃO HOSPITALAR E PRODUÇÃO DO CUIDADO EM SAÚDE: RACIONALIDADES TECNOGERENCIAIS, QUALIDADE ASSISTENCIAL E DESAFIOS NO CONTEXTO BRASILEIRO
DOI:
https://doi.org/10.18623/rvd.v23.7288Keywords:
Acreditação Hospitalar, Produção do Cuidado em Saúde, Qualidade Assistencial, Governança em Saúde, Direito à Saúde, Racionalidades TecnogerenciaisAbstract
A acreditação hospitalar consolidou-se, nas últimas décadas, como uma das principais estratégias de indução da qualidade e da segurança assistencial nos sistemas de saúde. Entretanto, embora a literatura reconheça sua relevância para o aprimoramento dos processos organizacionais, persistem controvérsias acerca de sua efetiva capacidade de contribuir para a produção do cuidado em saúde, especialmente em contextos marcados pela tensão entre racionalidades tecnogerenciais e necessidades concretas dos usuários. Nesse cenário, o presente estudo objetiva analisar as relações entre acreditação hospitalar, produção do cuidado em saúde e qualidade assistencial, discutindo os limites e as potencialidades dos modelos contemporâneos de gestão da qualidade no contexto brasileiro. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de revisão integrativa da literatura, fundamentada nas diretrizes do protocolo PRISMA 2020 adaptado às especificidades metodológicas da investigação. A busca foi realizada nas bases SciELO, LILACS, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed/MEDLINE e Google Scholar, contemplando estudos publicados entre 2013 e 2026. Os resultados evidenciam que a acreditação hospitalar contribui para a padronização dos processos assistenciais, o fortalecimento da cultura organizacional da qualidade, a ampliação dos mecanismos de gestão de riscos e a consolidação de práticas voltadas à segurança do paciente. Contudo, a análise também revela que os modelos de acreditação tendem a privilegiar indicadores de desempenho organizacional e conformidade institucional, nem sempre incorporando de forma suficiente dimensões relacionadas à integralidade do cuidado, à autonomia dos usuários, à construção de vínculos e à humanização da assistência. Conclui-se que a acreditação hospitalar representa importante instrumento de governança em saúde e qualificação institucional, mas sua efetividade depende da capacidade de articular racionalidades tecnogerenciais com abordagens centradas na pessoa, de modo a promover uma produção do cuidado comprometida com a dignidade humana, a justiça social e a efetivação do direito fundamental à saúde.
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